domingo, 18 de setembro de 2011

Resposta à nota de esclarecimento da direção da APP sindicato.

 RESPOSTA DA CHAPA 2 À NOTA DE ESCLARECIMENTO DA DIREÇÃO DA APP

Está no site da entidade uma nota de esclarecimento da direção da APP. Afirmam que nós da chapa 2 fazemos insinuações e mentimos sobre a prestação de contas. Pois bem, vamos aos fatos:
 O que estamos afirmando foi apresentado em assembleia e está publicado no Jornal 30 de agosto, de abril de 2011, nº 159. É a prestação de contas da entidade do ano de 2010, ano em que a APP arrecadou R$ 16.275.326,84. A parte que citamos refere-se ao gasto com auxílio alimentação. Está exatamente assim:
“DESPESAS DAS DIRETORIAS ESTADUAL E REGIONAIS:     sede                           núcleos
Auxílio alimentação das diretorias estadual e regional        R$ 224.157,86                  R$ 185.220,30”
 Está escrito que a despesa é com as diretorias da APP! Portanto não estamos inventando nada. Apenas pegamos como fonte a própria prestação de contas e citamos o gasto da direção estadual com auxilio alimentação!
A direção da APP também afirma que nos prestou esclarecimentos na assembleia de prestação de contas. Realmente questionamos o valor, mas dois membros da direção estadual deram explicações diferentes: uma falou que era assim porque a diretoria não ficava só em Curitiba. Outro disse que no valor estava incluído o gasto do conselho estadual da APP. Portanto as respostas foram contraditórias. Agora na nota da direção, aparece uma terceira explicação que inclui gastos de vale alimentação de quase todas as atividades da APP. Citam aí gastos com participantes de congressos, cursos, seminários, encontros dos coletivos regionais e mobilização. Ocorre que na própria prestação de contas aparecem itens como esses separados.  Por exemplo: o gasto com seminários na sede foi de 114 mil reais, nos núcleos 98 mil. Reuniões e cursos de formação sindical foi de 348 mil na sede estadual e 540 mil nos núcleos sindicais. Assembleias e Conselhos tiveram gasto de 43 mil. Mobilização foi 114 mil. Mobilização do 30 de agosto foi de 164 mil. Isso está na própria prestação de contas. Então como explicar o valor do auxilio alimentação com esses itens que aparecem todos separados na prestação de contas? Poderíamos questionar várias outras coisas na prestação de contas. Por exemplo, a contribuição de 269 mil reais para CUT, que hoje está atuando contra os trabalhadores e atrelada ao governo e aos patrões.
A nota da direção da APP afirma que a gestão é democrática. Será? Que democracia é essa onde tem dirigentes da APP liberados há 15 anos, alguns há mais de 20 anos? Nós defendemos limitação dos mandatos dos liberados para duas gestões. Que democracia é essa onde os 17 membros da direção estadual estão usando suas liberações sindicais nesse momento para fazer campanha para a chapa 1? E onde há vários liberados regionais fazendo campanha para a chapa 1, enquanto nós da chapa 2 temos que fazer campanha trabalhando 40 horas nas escolas!

Reivindicamos que essa nota seja divulgada no site da APP!
CHAPA 2 – APP DE LUTA E PELA BASE

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Estudantes e professores chilenos preparam novas manifestações

Líderes estudantis e professores chilenos criticaram, nesta quarta-feira (7), a proposta do governo para resolver a crise na educação no país, que há mais de três meses mobiliza milhares de pessoas, paralisa colégios e universidades e afetou a popularidade do presidente Sebastián Piñera.

Eles acham que o governo está tentando ganhar tempo, para negociar algumas concessões, sem dar garantias de educação gratuita e de boa qualidade para todos. Por isso, o Colégio dos Professores (o sindicato que reúne cem mil profissionais de ensino de todo o país) anunciou um novo calendário de protestos que tem como novidade manifestações fora do Chile. Estão previstas manifestações na frente de embaixadas e consulados chilenos em toda a América Latina. Além disso, professores chilenos e argentinos se encontrarão na fronteira entre os dois países, na Cordilheira dos Andes, para um abraço de “solidariedade”.

“A reforma da educação no Chile tem o apoio de 81% dos chilenos e da comunidade internacional”, disse Jaime Gajardo, presidente do Colégio de Professores do Chile. Apesar de o governo ter proposto um plano de negociação, na segunda-feira passada (5), os mestres organizaram protestos para as próximas quatro semanas. O principal evento será um plebiscito, no dia 30 de setembro, para que a população chilena se manifeste sobre a reforma na educação. “É mais uma forma de pressionar o governo, que fez uma proposta de negociação, mas não deu qualquer sinal de que está disposto a fazer as reformas necessárias”, disse Gajardo.

O que está em jogo, segundo ele, é o sistema de educação no Chile – país que desde a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990) adotou um modelo de economia neoliberal. Todas as universidades, tanto as privadas como as públicas, são pagas. A mensalidade custa em media 200 mil pesos chilenos (mais de R$ 700). Quem não tem condições de pagar pode pedir uma bolsa de estudos (se tiver boas notas) ou crédito a um banco. Mas os juros são altos e os recém-formados iniciam sua carreira profissional com dez anos de dívida para pagar.

Os estudantes e professores também exigem que o governo faça cumprir a lei que proíbe as universidades (mesmo as privadas) de lucrarem com a educação. Mas, segundo o economista Marcel Claude, os empresários encontraram formas de burlar a lei. “O dono de uma universidade muitas vezes é o dono de uma fundação e de imóveis. Com o dinheiro que recebe dos estudantes, aluga um prédio de sua própria companhia e contrata serviços e estudos de suas outras empresas e fundações”, disse Claude, em entrevista à Agencia Brasil. “No papel, a universidade não tem qualquer lucro. Mas o empresário simplesmente passou o dinheiro de uma conta para outra”, completou.

No ensino médio, a situação é outra. Existem escolas privadas e escolas publicas gratuitas, mas elas são financiadas pelos municípios e não pelo governo federal. Mas existem também escolas “mistas”, colégios privados, que cobram mensalidades menores que os totalmente privados, mas recebem subsídios do Estado. Os estudantes e professores dizem que, como o modelo chileno diminuiu de forma significativa o papel do Estado, o governo não tem órgãos para fiscalizar se o dinheiro que entregam às escolas privadas mistas está sendo bem investido. Por isso, querem acabar com esse modelo.

O governo tentou colocar um fim às mobilizações estudantis oferecendo um número maior de bolsas e créditos mais baratos. No sábado passado (3) o presidente Piñera cedeu a uma das reivindicações e recebeu os estudantes e professores no Palácio La Moneda, sede do governo. Dois dias depois, o ministro da Educação fez uma proposta de negociação: criar três grupos de trabalho para negociar todos os temas. O prazo para as negociações vai de 12 de setembro até o final do mês.

“O governo disse que temos três meses para negociar, mas na verdade planejou apenas uma reunião por semana. Ou seja, em três reuniões temos que resolver toda a reforma da educação. Não dá para tratar algo tão profundo tão rapidamente”, disse o líder estudantil Camilo Ballesteros.

Outra crítica à proposta do governo foi em relação à forma de negociar: a discussão começaria pelos temas menos complexos (bolsas de estudo e créditos mais baratos) e só no fim tocaria nos temas mais polêmicos, como o fim do lucro na educação. “Não queremos negociar por partes; queremos negociar um todo. E só queremos negociar se o governo der sinais concretos de que está disposto a fazer mudanças”, declarou Ballesteros.

Para o presidente do Colégio dos Professores, uma forma de demonstrar vontade política, de negociar e começar pelo principal, é definir logo as questões polêmicas. “Antes de sentarmos com o governo para negociar temos que definir: queremos o fim do lucro na educação; queremos o fim do sistema misto? Uma vez resolvido isso, aí podemos decidir o que fazer”, disse Gajardo.

Nesta quinta-feira (8), as lideranças estudantis se reúnem para definir uma contraproposta ao governo e uma mobilização nacional. Mas os protestos deverão ser tímidos. O Chile vive uma semana de luto, primeiro por causa da queda de um avião, na sexta-feira passada, matando 21 pessoas (entre elas Felipe Camioraga, um dos mais conhecidos apresentadores de TV do Chile), e, segundo, por causa da morte do ex-chanceler e ex-senador Gabriel Valdés, na quarta-feira (7). Ele fez parte da resistência chilena à ditadura de Pinochet. Por causa da morte de Valdés, o presidente Sebastián Piñera decretou dois dias de luto oficial no país.


Por Monica Yanakiew

Repórter da EBC
Fonte: Agência Brasil